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16 de junho de 2009

O Milagre da TELOMERASE


Por: Dr. Ítalo Rachid*

Um grupo de renomados cientistas na área da biologia molecular anunciou recentemente que existem enormes chances de termos, finalmente, descoberto a fonte da juventude: uma enzima celular denominada telomerase.
Esta enzima é uma ribonucleoproteína que confere às células a espantosa capacidade de se replicarem infinitamente, driblar o envelhecimento e manter sua performance metabólica inalterada, tornando-as, deste modo, imunes ao próprio tempo.
A grande maioria das células, tecidos, órgãos, plantas, animais e seres humanos obedece a um ciclo biológico bem previsível - crescem, envelhecem, reproduzem e morrem.
Existem, no entanto, três tipos de células que desobedecem estas regras.
O primeiro são os organismos unicelulares chamados eucariontes (amebas), que são, basicamente, replicações do mesmo ser e permanecem imortais. Uma ameba hoje é exatamente a mesma criatura de um milhão de anos atrás.
O segundo são células germinativas primordiais, que irão se transformar nos espermatozóides e óvulos. Não importa o que aconteça com o nosso corpo, essas células simplesmente não envelhecem e podem viver para sempre.
O terceiro tipo de célula que demonstra imortalidade biológica e ausência de envelhecimento são as células cancerígenas, que podem viver para sempre em meios de cultura, e, na verdade só morrem porque são pouco espertas e matam o organismo invadindo-o e parasitando-o.
Por que, então, envelhecemos?
Cada vez que as células do nosso corpo se dividem, uma parte do material genético necessário a estas divisões é perdido, são chamados Telômeros.
A velocidade e extensão dessas perdas é que vai determinar quantas vezes cada célula vai poder se dividir, por quanto tempo irá viver e quando vai morrer.
Os telômeros são, na verdade, os nossos relógios biológicos, que controlam o processo do envelhecimento celular.
O grande elo perdido foi então descoberto por Carol Grieder e Elisabeth Blackburn, da Universidade de Yale em 1989: uma enzima chamada telomerase é capaz de repor indefinidamente os segmentos de telômeros perdidos nas divisões celulares, e é exatamente esse fenômeno que possibilita às amebas, células germinativas e células cancerígenas viverem para sempre. Por outro lado, as células comuns envelhecem porque a telomerase não consegue ser ativada nas mesmas.
Muitas pesquisas e estudos têm sido feitos desde então, e as notícias mais recentes nesta área são promissoras.
A telomerase já foi replicada em células comuns, e a promessa é que os desdobramentos desse avanço possam estar ao nosso alcance dentro de poucas décadas.
Substâncias capazes de inibir essa enzima em células do câncer já estão sendo pesquisadas e é possível que estejam disponíveis para aplicação clínica dentro de um curto período de tempo.
Acena-se com a possibilidade de cura do câncer dentro de quinze a vinte anos.
No outro extremo, substâncias capazes de estimular a telomerase em células comuns começarão a ser usadas já estão disponíveis para uso experimental.
Acredita-se que em 2020, terapias com telomerase já estarão disponíveis, e a humanidade vai entrar numa nova era de saúde e extensão de vida inimagináveis!
*Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia e pela Associação Médica Brasileira
*Ex-Delegado da Sociedade Brasileira de Climatério - SOBRAC
*Formação em Medicina Antienvelhecimento pelo American Board of Anti-Aging Medicine
*Formação em Medicina Antienvelhecimento pela Harvard University Graduate School of Philosophy and Education
*Membro Diplomado da Academia Americana de Medicina Antienvelhecimento
*Membro Diplomado da International Hormone Society
*Membro Diplomado da World Society of Anti-Aging Medicine
*Delegado da World Anti-Aging Academy of Medicine (WAAAM).
*Membro da Life Extension Foundation - USA
*Formação em Age-Manegement Medicine pelo CENEGENICS Medical Institute – USA
*Diretor Científico do Programa Longevidade Saudável
*Coordenador do Curso de Pós-Graduacao em Medicina Antienvelhecimento da Universidade Paulista - Unip
*Presidente do Colégio Brasileiro de Medicina Antienvelhecimento e Longevidade - CBMAE
*Palestrante Internacional.
*Introdutor da Medicina Antienvelhecimento no Brasil.

15 de junho de 2009

NUTRIGENÔMICA


A entrada no século XXI constituirá sem dúvida um marco histórico na evolução ciência. O Projeto do Genoma Humano (PGH), iniciado em 1990 como um esforço cooperativo in­ternacional, tinha como objetivos a se­quenciação completa de todo o genoma humano (cerca de 3,2 biliões de nucleóti­dos), a identificação dos genes e dos pro­dutos por estes codificados, assim como a identificação da sua função, associação com patologias específicas e interacções com factores ambientais.
Em Fevereiro de 2001 foi publi­cada a sequenciação inicial do genoma humano, com artigos na Nature e na Science, tendo a sua publicação defini­tiva ocorrido em 2004. O sucesso obtido no PGH, aliado a poderosas ferramen­tas de biologia molecular, impulsiona agora uma nova era na medicina e na nutrição.
A informação revelada pela se­quenciação do genoma humano está favorescendo a criação de novas oportunida­des de compreensão de como responde o ser humano aos estímulos provenien­tes do ambiente. Alguns dos dados ob­tidos, revelaram que os polimorfismos genéticos, fonte de variação interindi­vidual, são fundamentais na resposta metabólica ao ambiente e permitiram--nos questionar até que ponto podemos identificar subgrupos populacionais e que marcadores genéticos poderão au­mentar os seus benefícios ou riscos com uma determinada ingestão de um deter­minado nutrimento.
Apesar dos nutrientes influencia­rem o desenvolvimento do ser humano e a evolução para determinados fenó­tipos, e, como se sabe, este mecanismo difere de indivíduo para indivíduo, o inverso também deve ser considerado. Isto é, o genótipo individual pode de­terminar a resposta a um determinado nutriente ou componente alimentar. Esta nova era emergente, a Nutrição Molecular, ou seja, as interações gene-nutriente, é, portanto, complexa e bidi­recional.
A genômica representa um con­ceito amplo e vasto, que inclui o estudo dos genes, relativamente à sua estrutu­ra, função, regulação e interação com fatores ambientais. Uma das primei­ras definições, publicadas na literatura científica, para o termo «genômica nu­tricional» foi proposta por DellaPenna, em 1999, mas muitas surgiram desde então, não fosse esta uma nova área de conhecimento científico (– glossário de termos relacionados com genómica nutricional no final do texto).
A genômica nutricional pode ser considerada como a combinação entre a nutrição molecular e a genômica, um conceito que abarca a nutrigenômica e a nutrigenética. Segundo Ordovas et al., a nutrigenômica considera «os estudos de interação funcional dos alimentos e dos seus componentes com o genoma, ao nível molecular, celular e sistêmico». A finalidade da nutrigenômica é auxiliar a prevenção e o tratamento de doenças através da alimentação.
A nutrigenética considera os efei­tos da variação genética individual na resposta aos nutrientes ou à alimenta­ção e oferece a promessa de uma «nutri­ção personalizada» segundo a constitui­ção genética do indivíduo, baseada no conhecimento das variações do meta­bolismo dos nutrientes sobre os genes. A expectativa subjacente à nutrige­nômica e à nutrigenética é que será iden­tificada e validada uma grande variedade de genes cuja expressão possa ser mo­dificada por componentes alimentares – nutrientes ou não –, a fim de serem incorporados em estratégias nutricionais que visem optimizar a saúde e prevenir a doença. Entre as várias doenças que poderão beneficiar com os avanços desta área, destacam-se a obesidade, o cancro, as doenças cardiovasculares, a osteopo­rose, a diabetes e várias outras doenças inflamatórias crónicas.
É, portanto, baseado na concreti­zação destas expectativas que surge o conceito de «nutrição inteligente», ou seja, o conhecimento do estado nutri­cional, das necessidades nutricionais e do genótipo individual, que prometem revolucionar não só as ciências da nu­trição, mas todas as áreas ligadas às ciências da saúde.
Os nutricionistas têm agora uma oportunidade especial e única para re­definir o seu papel nos cuidados e no sistema de saúde. Neste contexto, o nutricionista poderá assumir o papel de conselheiro, para o que lhe será exigida uma nova formação e a corres­pondente responsabilidade. Os profis­sionais que reunirem as características descritas serão, certamente, os mais procurados.

Bibliografia:
1 – DeBusk RM. Introduction to nutritional genomics. In: Mahan LK, Es­cott-Stump S, editors. Krause´s Food, Nutrition & Diet Therapy. 11th ed. Phila­delphia: Saunders; 2004. p.390-406.
2 – Lander ES et al. Initial sequenc­ing and analysis of the human genome. Nature 2001; 409 (6822): 860-921.
3 – Venter JC et al. The sequence of the human genome. Science. 2001; 291 (5507): 1304-1351.
4 – International Human Genome Sequencing Consortium. Finishing the euchromatic sequence of the human genome. Nature 2004;431 (7011): 931-945.
5 – Gillies PJ. Nutrigenomics: the rubicon of molecular nutrition. J Am Diet Assoc 2003; 103(12 suppl 2):S50-S55.
6 – DellaPenna D. Nutritional Ge­nomics: manipulating plant micronutri­ents to improve human health. Science 1999; 285: 375-379.
7 – Elliot R, Ong TJ. Nutritional ge­nomics. BMJ 2002; 324:1438-1442.
8 – Trayhurn P. Nutritional genom­ics – “Nutrigenomics”. Br J Nutr 2003; 89:1-2.
9 – Chadwick R. Nutrigenomics, in­dividualism and public health. Proc Nutr Soc 2004; 63(1):161-166.
10 – Ordovas JM, Corella D. Nu­tritional genomics. Annu Rev Genomics Hum Genet 2004; 5:71-118.
11 – DeBusk RM, et al. Nutritional genomics in practice: where do we begin? J Am Diet Assoc 2005; 105 (4): 589-598.





Glossário
Alelo – uma das cópias de um gene. Em organismos diplóides (ex. humanos), cada indivíduo possui dois alelos para cada gene.
Fenótipo – a expressão de um gene.
Gene – segmento do ADN que normalmente contém a informação necessária para a produção de uma proteína ou ARN.
Genoma – a totalidade da informação genética de um organismo ou célula.
Genótipo – referente à constituição genética de um indivíduo.
Locus/Loci – representação abstracta de um gene ou marcador num cromossoma.
Mutação – uma alteração da sequência de nucleótidos no ADN.
Nucleotídeo – unidade que constitui o ADN e o ARN. Normalmente referida pelas letras ATCG para ADN e AUCG para ARN.
Polimorfismo – variante de um gene que ocorre na população numa frequência superior a 1%.
Proteómica – estudo da estrutura e função das proteínas que podem ser expressas num organismo.


  • FONTE: Jornal da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação 2007
  • AUTORES: Dr. Fábio Pereira* e Prof.ª Doutora Maria Daniel Vaz de Almeida **

*Nutricionista, Instituto de Investigaciones Biomédicas «Alberto Sols», Universidad Autónoma de Madrid

**Nutricionista, Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto