13 de junho de 2009

Orgânicos: Por que optar por eles?


Comprar apenas produtos orgânicos e gastar um pouco mais ou optar por alimentos mais baratos, mas produzidos à base de pesticidas e hormônios?A questão não é fácil de ser respondida, mas o consumidor tem sido cada vez mais tentado pelo aumento da oferta. Hoje é possível encontrar --além de verduras e frutas-- sucos, óleos, carnes, ovos e até cervejas e vinhos orgânicos. Segundo o Instituto Biodinâmico, uma das mais de 20 instituições que certifica esses alimentos no Brasil, o consumo de orgânicos aumenta 30% a cada ano, apesar de o preço ser de 30% a 50% mais caro do que os produtos convencionais.A produção orgânica preconiza uma filosofia que tem como objetivo final o equilíbrio sustentável do ambiente. No cultivo, estão proibidos os agrotóxicos, adubos químicos e as sementes transgênicas. Os animais são criados sem uso de hormônios de crescimento, anabolizantes ou outras drogas como os antibióticos. "O produtor usa os recursos do ambiente sem alterar suas características", explica Paulo Stringheta, professor de Tecnologia de Alimentos da Universidade de Viçosa (MG).Mas ainda não existe um consenso sobre as vantagens nutricionais dos orgânicos. Algumas pesquisas, segundo Stringheta, mostraram que a planta orgânica teria um teor vitamínico mais concentrado. "Como ela trabalha de forma estressada, sem a ajuda de substâncias químicas para sua autodefesa, deve produzir mais substâncias antioxidantes", diz.Para a professora do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP Silvia Maria Cozzolino, não é possível afirmar que os orgânicos sejam mais ricos. Aliás, o fato de não conterem agrotóxicos também não os torna a única opção no mercado para quem se preocupa com a saúde. "Uma boa higiene dos vegetais é capaz de retirar os resíduos tóxicos. O risco de uma intoxicação, nesses casos, é mínimo."Uma pesquisa da Unicamp ilustra ainda mais a importância de lavar bem os alimentos e parece tirar dos morangos o título de vilão das crianças. A professora Maria Cecília Toledo, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, constatou que, ao lavar os morangos com água, foi possível retirar 90% dos resíduos de agrotóxico da fruta. Segundo a pesquisadora, casos de intoxicação são raros no Brasil e, quando acontecem, atingem principalmente os agricultores, e não o consumidor. Como ainda não existe um órgão para fiscalizar as certificadoras de alimentos orgânicos, os consumidores precisam dobrar a atenção. "A higienização é fundamental", afirma o nutrólogo Mauro Fisberg, da Unifesp.Partidários da sustentabilidade, alguns restaurantes incluíram os produtos cultivados sem agrotóxicos em seus cardápios. A chef e banqueteira Vicky Constantinesco, de São Paulo, é uma delas. A receita ao lado usa morangos orgânicos.
Fonte: Folha de São Paulo

5 de junho de 2009

Homocisteína: Perigo Oculto


Por: Dr. Ítalo Rachid**

É a homocisteína, e não o colesterol, a substância que inicia as lesões vasculares que levam ao infarto.A doença coronariana obstrutiva (infarto do miocárdio) é um grande pesadelo para a humanidade. Nos países desenvolvidos, assim como no Brasil, é a principal causa de mortalidade. Estima-se que, somente neste ano, 450.000 americanos e 180.000 brasileiros terão suas vidas ceifadas por esta doença. Muito mais importantes do que a herança genética, os verdadeiros inimigos do coração estão ligados aos nossos estilos de vida: fumo, sedentarismo, obesidade, estresse, hipertensão, os erros alimentares e a deficiência hormonal na menopausa, que, em última análise, levam à hipercolesterolemia. O aumento do colesterol, principalmente a fração LDL (o mau colesterol), abre caminho para a arteriosclerose, que, por sua vez, obstrui as artérias do coração e causa o infarto, numa verdadeira realização em cascata. Colesterol elevado, passou então, a ser o inimigo público número um. Um fato muito importante intrigava, porém, os pesquisadores mais curiosos: se é realmente o grande vilão, como explicar a ocorrência de infartos em pessoas com colesterol absolutamente normal? Como explicar o infarto em adultos cada vez mais jovens, que, igualmente, não apresentam qualquer anormalidade no seu colesterol, e adotam estilos de vida aparentemente saudáveis?O elo perdido desta cadeia de eventos, parece finalmente ter sido encontrado. Surgindo no nosso organismo como um produto do metabolismo da metionina, a hemocisteína é um aminoácido natural, de existência efêmera, que se converte em outro aminoácido chamado cistationa. Se esta rota for corretamente seguida, não há qualquer prejuízo à nossa saúde. O grande segredo, porém, é que para este processo ocorrer, são necessários cofatores naturais que regulam essas reações: vitaminas B-6 e B-12, betaína e ácido fólico. Aí é que começam nossos problemas. Devido ao esgotamento do solo, industrialização excessiva dos alimentos e baixa concentração desses elementos na dieta, um número incontável de pessoas apresenta deficiência dessas substâncias.Diante dessas deficiências, nosso organismo passa a acumular homocisteína, e essa substância é hoje considerada o verdadeiro vilão da doença coronariana. É a homocisteína, e não o colesterol, a substância que inicia as lesões vasculares que levam ao infarto. Ainda pior: a homocisteína acelera a oxidação do LDL colesterol, aumentando ainda mais o dano vascular. Explicando mais claramente: se o colesterol é normal. Porém as concentrações de homocisteína no seu sangue estão elevadas, o dano ao seu coração ocorre mais rapidamente do que se seu colesterol estiver elevado e sua homocisteína normal! Na verdade, a homocisteína elevada no sangue, é considerada, atualmente, nos países que praticam uma medicina de ponta, um fator de risco para doenças cardíacas, muitas vezes pior e mais preciso do que o colesterol. Pessoas com doenças coronarianas, já confirmadas por angiografia, tem o risco, 10 a 15 vezes maior de infartar se sua homocisteína estiver elevada!Para finalizar, dois fatos impressionantes: a suplementação vitamínica corretamente conduzida, provoca a total normalização dos níveis de homocisteína; os níveis de homocisteína no sangue já podem ser medidos, sendo um exame obrigatório nos países desenvolvidos.
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